É coisa braba quando um urco se embodoca
Mete as patas na cangaia e esconde a cara abrindo toca
Parece que o chão se muda vai pra riba do chapéu
E a gente tem a impressão de andar, pisando no céu

Me vou na boca do maula campeio e não acho a doma
Um tigre fugiu da jaula e se foi, batendo carona
Resta então um reio brabo, o dente afiado da espora
Uma mancha de campo limpo e a fé em nossa senhora

É coisa braba quando um touro se renega
Vira a cabeça pra grota e sai esmagando macega
Troveja o céu do rio grande, treme o chão num atropelo
E a pátria pampa ferve no sangue, quando arrepia o cabelo

É ai? É ai, que um doze braças, se desata sem receio
E que se conhece a raça de um vivente dos arreios
Cruza o rastro cruza o rastro e empurra o tento no templo
Do campo a fora peço a bênção pra esta armada pra Deus, e nossa senhora

Nossa senhora, nossa santa aparecida
Proteja o pago gaúcho nestes corcóvios da vida
Eu te carrego na copa deste sombreiro
Pois nada é mais poderoso que a fé de um índio campeiro